Tempo nublado, céu cinza, mundo melancólico.
Passo mais uma vez pelo jardim. Como de costume, sem prestar atenção às variadas flores, por mais lindas e perfumadas que sejam. Elas costumam esconder espinhos que não estou disposto a descobrir.
Minha atenção é toda para aquele botão... Claramente, o botão que resultaria na flor mais linda e perfumada de todo o jardim. Já nasceu diferente, solo especial, caule viçoso, pétalas multicoloridas visíveis, poesia em cada etapa do crescimento... Valeria cada espinho, ainda que nenhum se insinuasse.
Mas o botão não vai desabrochar...
Maldigo o Tempo, por não fazer o seu trabalho direito. Xingo a Sincronicidade, por aparecer e ir embora tão rápido. Agradeço à Natureza, pela chance de contemplar brevemente o botão.
Saio do jardim em meio à chuva...
(Rabisco de anos atrás, que hoje me parece interessantíssimo: foi escrito prevendo uma dor que nunca veio, ou veio bem mais leve do que prometia. Soava devastador, agora soa bonitinho.)
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