Passei pela catraca. O lugar parecia um parque, sol e verde ao redor. Entreguei a ela meu bilhete. Não lembro bem sua pergunta, nem minha resposta. Só lembro que não a conhecia. Ela riu com muita autenticidade do que eu falei e me disse: "É por isso que eu vou casar com você!" Olhei com encantamento para a moça e sorri. Se era transparência que eu recebia, tinha que devolver transparência. Precisava lhe contar sobre minha natureza solitária e minhas frustrações com relacionamentos - embora algo me dissesse que ela já pressentia e não se importava. Sentados, mãos dadas, comecei: "Quantos anos você tem?" Afinando bastante a voz, respondeu; "Nove". Enquanto eu esboçava um olhar intrigado, ela corrigiu, enrugando a testa, soando trêmula como aquela mulher que anuncia a Top Therm: "Noventa". Enquanto eu ria, ela me perguntou: "Quantos anos você acha que eu tenho?" Acordei procurando uma resposta. Dezoito? Vinte e oito? Trinta e oito? D...