Ontem, encontrei olhares. Ou, talvez, olhares me encontraram. Alguns deles simpáticos, condescendentes até. Outros, condenatórios, cheios de julgamento. Ainda outros, constrangidos, de relance, desejando não terem acontecido. Percebi uma coisa. Nenhum deles me importa. Houve um tempo em que eu me desdobraria de todas as formas possíveis para tentar satisfazê-los. Buscaria detalhar todas as situações, mostrar nuances, obter confirmações de que tudo estaria entendido, compreendido e absorvido. Que bobagem... O olhar que enxergará tudo isto é aquele que eu encontro no espelho. Este, velho conhecido, não precisa ser convencido de nada. Não me cobra explicações. Serve de testemunha para endossar cada uma de minhas ações incompreensíveis e questionadas. Viu muitas coisas, deixou de ver algumas outras, fez que não viu outras poucas, mas registrou as imagens e impactos de todas elas. Isto me basta. Entretanto, olhares externos e bondosos, dispostos a olhar na mesma direção e s...
Para transformar com cuidado e constância