Pular para o conteúdo principal

Os olhares que importam

Ontem, encontrei olhares. Ou, talvez, olhares me encontraram.

Alguns deles simpáticos, condescendentes até. Outros, condenatórios, cheios de julgamento. Ainda outros, constrangidos, de relance, desejando não terem acontecido.

Percebi uma coisa. Nenhum deles me importa.

Houve um tempo em que eu me desdobraria de todas as formas possíveis para tentar satisfazê-los. Buscaria detalhar todas as situações, mostrar nuances, obter confirmações de que tudo estaria entendido, compreendido e absorvido. Que bobagem...

O olhar que enxergará tudo isto é aquele que eu encontro no espelho. Este, velho conhecido, não precisa ser convencido de nada. Não me cobra explicações. Serve de testemunha para endossar cada uma de minhas ações incompreensíveis e questionadas. Viu muitas coisas, deixou de ver algumas outras, fez que não viu outras poucas, mas registrou as imagens e impactos de todas elas.

Isto me basta.

Entretanto, olhares externos e bondosos, dispostos a olhar na mesma direção e sentido, poderão ter um vislumbre.

Isto me enternece.

Quem tiver olhos para ler, leia. Vida que segue..



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Olhos verdes

Olhos verdes, peço perdão. Há algum tempo, você tentou lidar com o meu caos. Você se feriu para me resgatar. Machucado e desorientado, não consegui retribuir o cuidado angelical. Era um momento de acertos e desacertos. Olhos verdes, agradeço, de coração... Você me salvou e me ajudou a seguir em frente. Aprendi a não convidar ninguém a adentrar quando a bagunça emocional predomina. Percebi as vantagens do simples-transparente sobre o complexo-obscuro. Descobri que pessoas doces existem e nada cobram pela doçura.  Olhos verdes, tudo de bom! Seja feliz. Respire e mantenha a paz que encontrou. Receba o carinho e a dedicação que você merece. Muita pizza, muita vida, muitos vivas! Raio de sol, ajude aquela íris a irradiar esperança e pureza por aí!

Bolo de cenoura

Naquela tarde, ela fechou o salão mais cedo, conforme planejado. Recusara todos os agendamentos. As unhas das clientes teriam que ceder lugar a um ritual necessário. A caminho da cozinha, relembrou com detalhes a conversa sobre o bolo preferido dele, bolo de cenoura. O término repentino do curto relacionamento não permitiu que o fizesse antes. Precisava fazer agora.  Nas anotações, a combinação das três melhores receitas que conhecia. Na geladeira, a fôrma previamente untada e enfarinhada, para desenformar melhor. Na mesa, as cenouras bem escolhidas, nem muito duras, nem muito moles. Chocolate de boa qualidade para a cobertura, colher de pau para um melhor preparo, forno aquecido na temperatura adequada. Iniciou a cerimônia. Sim, o que estava acontecendo ali não era a simples feitura de um bolo. Era parte da entrega de todo amor e carinho que ela iria dedicar àquele que, sem o menor cuidado, mandou uma mensagem terminando tudo. As palavras presas na garganta, a dor pela falta de um...

O fogo (brando) não apagou

É porque tem tudo isso, às vezes...  Panelas precisando lavar.  Ingredientes faltando.  Vontade de preparar pratos diferentes. Falta de vontade de cozinhar mecanicamente. Reformas na cozinha. Mas o fogo brando continua, suave e constante. E a saudade de jogar conversa fora ao lado do fogão, também!