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Mostrando postagens de agosto, 2018

Requentando - 02

(publicado originalmente no Facebook em 09/12/2017) Um dos meus filmes preferidos é  "Meu Querido Presidente"  ( "The American President" ). Adoro o elenco, adoro o enredo, adoro as sacadas e tem algumas das melhores frases ouvidas no cinema  (opinião de não-conhecedor) .  Hoje, não pude deixar de pensar na frase do Michael Douglas, explicando como perdeu a Annette Bening: "I was so busy keeping my job, I forgot to do my job" (tradução livre: "eu estava tão ocupado tentando manter o meu trabalho que eu me es queci de fazer o meu trabalho" - amigos teachers, ajudem a melhorar aqui!). Em alguns momentos da vida, estamos tão presos aos conceitos arraigados, às opiniões próprias inquestionáveis, à maldita ideia de que "é assim que eu tenho que fazer", que deixamos de enxergar a linha reta no meio das curvas que vamos fazendo. Isto cansa, desgasta, deprime e nos afasta da solução, por maior que seja a impressão de que estamos cada vez m...

Desconecte-se

O aluno e seu pai, a caminho da escola, encontraram duas amiguinhas do menino e lhes deram carona a partir daquele ponto. Todos chegaram sãos e salvos no colégio. A atendente da padaria entregou pães e sorrisos ao cliente do balcão, enquanto algumas jovens estudantes lanchavam em paz numa mesa. O simpático rapaz na lotérica ofereceu seu lugar na fila à moça grávida que, agradecida, declinou da oferta, pois já estava chegando a vez dela na fila preferencial. As funcionárias do salão de beleza conversavam com animação, sentadas na calçada lateral do estabelecimento. Tudo isto aconteceu em menos de uma hora, no início de uma tarde de terça-feira. Lá fora, nem tudo é preto e branco. Nenhuma cor teve sua saturação, matiz ou luminosidade artificialmente editadas. O som, o cheiro e o tato são reais. E, em boa parte do tempo, as pessoas se tratam bem.

Algumas coisinhas sobre paciência

Paciência. Pa-ci-êeeen-ciiiiaaa... Tá, admito. Chega a ser um defeito em mim. Hoje, porém, estou representando a "classe" toda. Isto inclui os pacientes moderados. Então, pensando neles, seguem umas coisinhas para esclarecer: 1) Paciência não é falta de ação. É uma tentativa de agir no tempo certo. Nem sempre acertamos, mas dificilmente erramos por precipitação. 2) A emergência tem prioridade sobre a paciência. E a paciência sabe dar passagem à emergência. 3) Paciência não é necessariamente tranquilidade. Putz, não mesmo! Nem sempre você está na frente de um monge em altíssimo grau de contemplação. Às vezes, por trás da calma aparente, estamos torcendo para que haja alguém com conhecimentos básicos de primeiros socorros por perto, sentindo a iminência de um ataque cardíaco. 4) Paciência tem tudo a ver com fé, esperança e caridade. Acima de tudo, esperança. Esperança de "esperançar", conforme nos lembra Mário Sérgio Cortella. 5) Sim, ela tem limites. ...

O pé sem meia

Foi  há uns dois meses. A semana estava difícil. Muitas coisas atrasadas no trabalho, a casa estava uma bagunça, faltava foco para tudo. O meu mau humor devia estar vazando pelos olhos e pela boca. Ainda por cima, o filho mais velho estava com dores havia alguns dias, depois de uma extração de dente complicada, com várias idas ao dentista. Ao mesmo tempo em que me lamentava por não conseguir resolver a situação dele, eu demonstrava uma chateação cruel, como se fosse mais uma "pendência" que estava atrapalhando a minha (des)organização. Aí, aconteceu. Voltando do consultório, já em casa, após mais umas doses de antibiótico e analgésico, ele foi se deitar um pouco. Olhando de relance para o quarto dele, só deu para ver os seus pés sobre o colchão.  Um deles, com meia, o outro, sem meia. Naquele instante, o adolescente de quinze anos, maior que eu, voltou a ser o garotinho de dois anos, que tinha o mesmo costume de tirar apenas uma das meias para dormir. Caí em mim... E aí...