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Mostrando postagens de fevereiro, 2023

Sóbrio, só que não...

 

Indo atrás de um rádio de pilha

Dia nublado, monotonia, um sábado qualquer. O mau (?) tempo não vai me demover de uma missão: encontrar um rádio de pilha. Saindo de casa, cruzo com a Jacque, figura tradicional do bairro, com o seu bonezinho e sua caixa térmica de salgados que vende por aí. Pela milésima vez, ela me pede para ajustar o despertador de seu celular, que se desconfigura de tempos em tempos e ela não sabe o porquê (nem eu). Animada, elogia o frescor do dia para trabalhar e me conta sobre a mudança para uma casa melhor. Já imagino alguém dando risada sobre o rádio de pilha, coisa tão antiquada e anacrônica... É que eu preciso me afastar um pouco da tecnologia e dos aparelhos eletrônicos mais modernos, já que não posso me afastar completamente, por dever de ofício. Preciso não ficar ansioso com as notificações, mesmerizado em conteúdos dispensáveis, obcecado pelo trabalho sem fim.  Só não posso me desligar da música. Afinal de contas, como disse Nietzsche, "sem a música, a vida seria um erro." (Est...

Larissa e Leandro, o final (?)

(Sugestão: ler antes os textos "A contagem" e "A abstinência", presentes nesta página) E aí, como termina esta bagaça? Aqui, chegamos em uma bifurcação. Para o gosto do autor, os dois continuariam se entupindo de cigarro e bebida por algum tempo, com muitas reflexões, momentos irônicos e preciosismos sentimentais, o que tornaria a história diluída e desinteressante. Isto não pode demorar tanto. Para o prazer do(a) leitor(a), tudo acabaria em paixão, renúncia, entrega, tesão e felicidade. Tudo muito perfeito, idealizado, raro... A gente pode buscar um meio-termo, aquela coisa chata que, normalmente, não agrada muito a ninguém. Aquela coisa que, normalmente, é o que acontece. Porque a vida acontece nos meios-termos e, bem ou mal, quem consegue encontrar satisfação neste choque inevitável entre expectativa e realidade, sobe alguns degraus na escada do viver. Seis da manhã. Larissa termina de se arrumar, decidida. Os caminhos estão claros como a luz do sol invadindo o q...

Encaixes

Encaixe: ponto de junção; união, juntura (fonte: Google). Hoje eu preciso encaixar o retrovisor do carro. Há algum tempo, uma saída mal calculada da garagem deixou o coitado pendurado, ao sabor do vento e da velocidade.  A gente vive de encaixes. Da consulta médica do filho. Do móvel novo na casa entulhada. Do encontro para um café no horário possível da tarde. Das expectativas dentro da realidade. No fim das contas... Que bom que é assim! Porque os inteiros maciços quebram, ficam inviáveis, ou com fraturas visíveis, no mínimo. No lugar da troca ou do abandono dos inteiros maciços, que prevaleça o cuidado, a manutenção e a maleabilidade dos encaixes viáveis. O retrovisor e os carros que me ultrapassarão agradecem.

Resumo até aqui

Intensidade tranquila, sensibilidade única. encantos em camadas Escrita cativante, música certa, dança prometida Mãos dadas no parque, mordidas no braço, vontade de agarrar Humor brilhante, papo reto suave, conversa viciante Café ensolarado, milk-shake astral, chá crepuscular Conexão pessoal, atração mental, ou vice-versa Prato complexo, degustação lenta, fome de vida Filme bem escolhido, aconchego na poltrona, beijo de cinema Olho colorido, cabelo colorido, mundo colorido Palavras contidas, palavras derramadas, palavras sem palavras E sei que faltaram coisas... e quero que cheguem coisas... e louvo todas as coisas...