(Sugestão: ler antes os textos "A contagem" e "A abstinência", presentes nesta página)
E aí, como termina esta bagaça? Aqui, chegamos em uma bifurcação.
Para o gosto do autor, os dois continuariam se entupindo de cigarro e bebida por algum tempo, com muitas reflexões, momentos irônicos e preciosismos sentimentais, o que tornaria a história diluída e desinteressante. Isto não pode demorar tanto.
Para o prazer do(a) leitor(a), tudo acabaria em paixão, renúncia, entrega, tesão e felicidade. Tudo muito perfeito, idealizado, raro...
A gente pode buscar um meio-termo, aquela coisa chata que, normalmente, não agrada muito a ninguém. Aquela coisa que, normalmente, é o que acontece. Porque a vida acontece nos meios-termos e, bem ou mal, quem consegue encontrar satisfação neste choque inevitável entre expectativa e realidade, sobe alguns degraus na escada do viver.
Seis da manhã.
Larissa termina de se arrumar, decidida. Os caminhos estão claros como a luz do sol invadindo o quarto. Hora de colocar o seu mundo em ordem, começando pelas pendências do escritório. Muito antes do horário tradicional, toma o café e sai de casa.
Cansado de lutar contra a insônia, Leandro se levanta. Precisava focar em algo, que fosse no trabalho - umas horas extras não fariam mal... Banho rápido, roupa casual, barrinha de cereal no bolso, aperta com tranquilidade o botão do elevador.
Na catraca da entrada do prédio, os dois se olham. O mesmo olhar fulminante de três meses antes. Larissa sugere um pastel. Leandro complementa com um caldo de cana. Seguem para um passeio pela feira da rua ao lado.
Como termina esta bagaça? Leandro e Larissa saberão, depois do caldo de cana, do pastel, do passeio e da conversa...
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