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Mostrando postagens de janeiro, 2019

Delirando

Enquanto derreto nesta tarde fumegante, minha cabeça comprometida pela alta temperatura me acusa. Talvez eu deva desculpas. Então, vamos resolver isso logo: peço desculpas pela escolha do nome deste blog. Não cai nada bem neste verão lascado. Fique à vontade para voltar aqui no inverno e ver se a sensação melhora. Gracias.

Requentando - 03

(publicado originalmente no Facebook em 11/07/2016) Ontem, eu dei o melhor abraço da minha vida. Não sei explicar, eu já sabia que ia acontecer. Não foi um abraço romântico. Não foi festivo. Nem foi um abraço feliz. Eu estava abraçando uma moça que acabava de perder o marido para uma grave doença. Foi um abraço demorado, mas que podia durar pelo resto da vida. Trocamos pouquíssimas palavras, mas nenhuma palavra era necessária. Não consegui acabar com a dor da moça (quem me dera!), mas me senti importante dentro da minha impotência. Em seu sofrimento, ela me deu a honra de fazer tudo que eu podia (ou seja, quase nada) para aliviar a sua carga. Antes e depois do meu, outros amigos e familiares deram os seus abraços. Tão ou mais demorados que o meu. Tão ou mais importantes que o meu. Espero que todos eles tenham sentido o que eu senti. Minha para-sempre-cunhada, hoje eu não estou aqui para escrever o óbvio (que você sempre pode contar comigo e tal). Hoje, eu quero te agradecer. ...

Ano novo, velhas mentalidades e uma musiquinha para animar

Tudo novo, mas tudo igual. Muitas transformações, só que não. Nem tô falando (só) de política. É essa triste mania de apego a convicções imutáveis. Paixões por ideias tão consistentes quanto um sorvete lambido. A favor ou contra. Fazer o quê? Tem gente que não consegue viver sem paixões, quaisquer que sejam... Quase ninguém quer mudar. Nem eu. Continuo me recusando a simplificar as coisas, a comprar pacotes fechados de pensamentos, a me agarrar a certezas que não tenho. Nem sempre é fácil, mas prefiro assim.  Por isso, é um prazer encontrar uma música lançada em um álbum de 2010 que, infelizmente, parece tão atual - ou, pior que isso, talvez atemporal (com um ajuste aqui ou ali). Desejo um 2019 destruidor de bitolas para todos nós. (EDIT: o YouTube está impedindo a execução do vídeo. Trata-se de "The Fence", do Tim Minchin)