A dúvida sobre como começar a arrumação. Os móveis que talvez caibam no carro, talvez precisem de um carreto. A chave inglesa que resolveu aparecer em boa hora. O aparelho eletrônico que já não funciona mais. A foto manchada de alguém que partiu, no fundo da gaveta. E essas roupas todas, de onde vieram? Como se esconderam? Para onde vão? (sexta, no Globo Repórter) A maldita agenda antiga, tão pouco obedecida - que já deveria ter virado papel reciclado. A mesa, que não vai caber no novo endereço, de jeito nenhum. A aranha que saiu correndo detrás da escrivaninha. O perfume, o remédio, o tempero, o rascunho do poema, todos com validade vencida. As benditas caixas de papelão vazias, guardadas por tanto tempo! A cueca do filho encontrada no meio dos brinquedos - e faz tempo que não há crianças aqui... A minuta do contrato que ainda não chegou no e-mail. Os livros que precisam ir e os que precisam ficar. O pôr-do-sol, que em breve será visto através de outra...
Para transformar com cuidado e constância