Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2022

Pediram para mim, peço a você

Hoje o texto ia ser diferente. Ia ser alguma coisa sobre o saco cheio que até o trabalho dos sonhos traz. Ou alguma coisa sobre sentimentos platônicos. Mais bem escrito. Menos urgente. Mas não deu... Precisava ser outro texto. Um texto necessário. Um texto que falasse por quem não está mais aqui para falar (e poderia estar). Por quem vem perdendo o pouco direito conquistado para falar. Por quem tem que se submeter a uma autoridade ou a um círculo social que emudece. Por quem se sente só e sem esperança neste momento de decisão. Porque todas essas vozes silenciadas não calaram em minha cabeça nos últimos tempos. Estavam aqui, lembrando-me como fui omisso e superficial há quatro anos. Como optei pela covardia confortável do voto nulo, com a falsa sensação de que os mais convictos e esclarecidos saberiam decidir melhor. Como pude abrir mão de exercer uma escolha que minha intuição sugeria repetidamente.  Nada justifica. Respondi e continuo respondendo por isso. Amiga(o) indecisa(o), e...

Onde foi que eu errei

Não tem interrogação, por ser uma afirmação. Errei quando não disse "não". Quando a busca pela gentileza suplantou o incômodo. Quando me achei merecedor de crédito apenas por agir corretamente. Quando os ombros pesaram e insisti em aguentar. Quando permiti que a expectativa de um bom entendimento violentasse meus valores (nada a ver com falso moralismo, que fique claro). Quando me importei demais com quem não queria entender. Quando aceitei ciclos intermináveis de incompreensão drenando minha energia. Quando o medo do julgamento bloqueou uma resposta à altura. Quando me considerei mais importante e necessário do que eu era. Errei, tentando acertar. E as pessoas com quem errei, concordam com isso? No momento, não é este o ponto. Qualquer chance de perdão alheio é menos necessária que a assimilação e o perdão do cara do espelho. Perdão, cara do espelho!