Hoje o texto ia ser diferente. Ia ser alguma coisa sobre o saco cheio que até o trabalho dos sonhos traz. Ou alguma coisa sobre sentimentos platônicos. Mais bem escrito. Menos urgente.
Mas não deu... Precisava ser outro texto. Um texto necessário.
Um texto que falasse por quem não está mais aqui para falar (e poderia estar). Por quem vem perdendo o pouco direito conquistado para falar. Por quem tem que se submeter a uma autoridade ou a um círculo social que emudece. Por quem se sente só e sem esperança neste momento de decisão.
Porque todas essas vozes silenciadas não calaram em minha cabeça nos últimos tempos. Estavam aqui, lembrando-me como fui omisso e superficial há quatro anos. Como optei pela covardia confortável do voto nulo, com a falsa sensação de que os mais convictos e esclarecidos saberiam decidir melhor. Como pude abrir mão de exercer uma escolha que minha intuição sugeria repetidamente.
Nada justifica. Respondi e continuo respondendo por isso.
Amiga(o) indecisa(o), estas vozes clamam para que eu fale com você. Você, em quem a surdez dos sentimentos ainda não chegou. Vem com a gente! Vem com aqueles que já sabiam o caminho certo antes de mim e de você. Vem comigo e com estes que se arrependeram de não ter imaginado ser possível chegarmos a este cenário distópico, onde uma parte daqueles que amamos foram transformados em zumbis raivosos por uma praga chamada bolsonarismo.
Vem nos ajudar a dar voz para as vozes que não podem ser ouvidas.
É isso.
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