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No balanço do mar

Andei muito cansado.

Os dias não estavam rendendo. Dormir equivalia a desmaiar. Não havia foco, não havia planejamento, não havia encerramento de pendências. A rotina era acordar, fazer parcialmente algumas coisas, empurrar outras com a barriga e terminar o dia frustrado. Estafa? Stress? Gosto pela procrastinação? Só Deus sabe...

O que fazer para mudar? Neste momento específico, nada. Ou pouca coisa. O mínimo.

Desconheço quase tudo sobre navegação marítima, mas li recentemente um texto que dizia o seguinte: quando o barco se encontra em meio a uma forte tempestade, existe uma técnica chamada "lying ahull" (não achei a nomenclatura em português, caso exista). Trata-se de recolher as velas, travar o leme e se abrigar na cabine. Ou seja, a embarcação se movimenta conforme o mar determina. Apesar de soar muito simplória e nem todo navegador concordar, pode ser a alternativa mais segura, dependendo da embarcação e da agitação.

Nem sempre temos o controle. Nem tudo depende da gente. Aplicar uma grande força contra uma desordem gigantesca só vai causar desgaste e exaustão. Em alguns momentos, é sinal de sabedoria fazer o mínimo necessário e confiar que outros movimentos, de outras pessoas, por caminhos desconhecidos, irão naturalmente contribuir para que a situação se resolva. Traz medo, traz preocupação, mas é importante manter a esperança.

No meu caso, já começou a acontecer. Há poucos minutos, alguém veio me avisar que a altura das ondas está diminuindo, fazendo com que um ponto onde tudo se chocava talvez esteja se acalmando...

Eu continuo cansado, esgotado e cheio de pendências. Mas já posso acreditar que, em breve, o barco estará navegando sobre águas mais calmas, sob um céu mais limpo.

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