Pular para o conteúdo principal

"Passeio"

Passei pela catraca. O lugar parecia um parque, sol e verde ao redor. Entreguei a ela meu bilhete. Não lembro bem sua pergunta, nem minha resposta. Só lembro que não a conhecia. Ela riu com muita autenticidade do que eu falei e me disse: "É por isso que eu vou casar com você!"

Olhei com encantamento para a moça e sorri. Se era transparência que eu recebia, tinha que devolver transparência. Precisava lhe contar sobre minha natureza solitária e minhas frustrações com relacionamentos - embora algo me dissesse que ela já pressentia e não se importava.

Sentados, mãos dadas, comecei: "Quantos anos você tem?" Afinando bastante a voz, respondeu; "Nove". Enquanto eu esboçava um olhar intrigado, ela corrigiu, enrugando a testa, soando trêmula como aquela mulher que anuncia a Top Therm: "Noventa". Enquanto eu ria, ela me perguntou: "Quantos anos você acha que eu tenho?"

Acordei procurando uma resposta. Dezoito? Vinte e oito? Trinta e oito? Deixei na cama a paixão instantânea, mas a sensação boa se levantou comigo. Vou conversar com quem interpreta sonhos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Olhos verdes

Olhos verdes, peço perdão. Há algum tempo, você tentou lidar com o meu caos. Você se feriu para me resgatar. Machucado e desorientado, não consegui retribuir o cuidado angelical. Era um momento de acertos e desacertos. Olhos verdes, agradeço, de coração... Você me salvou e me ajudou a seguir em frente. Aprendi a não convidar ninguém a adentrar quando a bagunça emocional predomina. Percebi as vantagens do simples-transparente sobre o complexo-obscuro. Descobri que pessoas doces existem e nada cobram pela doçura.  Olhos verdes, tudo de bom! Seja feliz. Respire e mantenha a paz que encontrou. Receba o carinho e a dedicação que você merece. Muita pizza, muita vida, muitos vivas! Raio de sol, ajude aquela íris a irradiar esperança e pureza por aí!

Bolo de cenoura

Naquela tarde, ela fechou o salão mais cedo, conforme planejado. Recusara todos os agendamentos. As unhas das clientes teriam que ceder lugar a um ritual necessário. A caminho da cozinha, relembrou com detalhes a conversa sobre o bolo preferido dele, bolo de cenoura. O término repentino do curto relacionamento não permitiu que o fizesse antes. Precisava fazer agora.  Nas anotações, a combinação das três melhores receitas que conhecia. Na geladeira, a fôrma previamente untada e enfarinhada, para desenformar melhor. Na mesa, as cenouras bem escolhidas, nem muito duras, nem muito moles. Chocolate de boa qualidade para a cobertura, colher de pau para um melhor preparo, forno aquecido na temperatura adequada. Iniciou a cerimônia. Sim, o que estava acontecendo ali não era a simples feitura de um bolo. Era parte da entrega de todo amor e carinho que ela iria dedicar àquele que, sem o menor cuidado, mandou uma mensagem terminando tudo. As palavras presas na garganta, a dor pela falta de um...

O fogo (brando) não apagou

É porque tem tudo isso, às vezes...  Panelas precisando lavar.  Ingredientes faltando.  Vontade de preparar pratos diferentes. Falta de vontade de cozinhar mecanicamente. Reformas na cozinha. Mas o fogo brando continua, suave e constante. E a saudade de jogar conversa fora ao lado do fogão, também!