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Um prêmio de consolação muito festejado

Galera fumante, este não é um texto de julgamento. Só quem já deu uma bela tragada estonteante entende. E, caso um dia eu seja condenado ao corredor da morte (pelo andar da nossa sociedade não é improvável), talvez meu último desejo seja um cigarro.

Hoje faz um ano que parei de fumar. 

Por si só, não é um feito tão relevante assim. Em outras ocasiões, já cheguei a ficar quatro, seis anos sem qualquer nicotina. Então, por que esta vez foi tão especial?

Porque foi a mais difícil. Alguém já disse - talvez Mark Twain - que "parar de fumar é fácil, eu sei porque já o fiz cinquenta vezes". Eu era assim e me gabava por conseguir parar quando quisesse. Desta vez, foram meses brigando com a ansiedade, com hábitos e lugares de desestímulo (a poltrona da varanda, a escada dos fundos). Quando finalmente interrompi o ciclo, foi importante abraçar humildemente a impotência. Assumir que não sou imune ao vício. E aqui estamos, festejando esta conquista magra, bem menos invejável que as demais, bem mais suada que as demais.

Por ora é isso: se tudo der certo, há um ano fumei meu último cigarro. Talvez o penúltimo, dependendo da história do corredor da morte...


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