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Ponto de encontro

Daqui a pouco vai chegar aquele dia, alguns já sabem. O dia em que atingirei a idade que sempre tive. Oi?

Tá, vou explicar essa viagem... Eu acredito que a idade cronológica das pessoas nem sempre corresponde à idade essencial delas. Tem gente feliz que segue certinho o cronograma. Tem gente animada que sempre foi e será criança. Tem gente maluca que oscila para cima e para baixo com o passar dos anos. Tem até gente misteriosa que carrega mais de uma idade ao mesmo tempo.

É, eu nasci velho... Nunca tive algumas pressas. Sempre fui meio rabugento, presunçoso e irônico. Consegui ter alguma maturidade e alguma noção de vulnerabilidade antes do esperado. E, quase sempre, contei com a parceria de uma paciência semissecular.

Existiram descompassos entre a essência e a cronologia? Com certeza! Excessos de inocência, enxurradas de hormônios, falta de vivências, tudo isso veio a seu momento no leito deste rio. Mas as águas do rio já tinham, desde a nascente, uma tonalidade, uma bagagem... uma idade. Quem teve contato com estas águas, entende.

E como estão as coisas com a proximidade da confluência? Tudo em paz. Tudo fazendo sentido. É muito bom poder chegar neste ponto de encontro. O ponto de ser quem eu já era sem ainda ter sido.

Muita viagem? Vê se me respeita, eu já era velho antes de você.


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