Era uma saída rápida, só para abastecer o carro e passar na
padaria antes de buscar a filha na faculdade. Fim de tarde, trânsito meio tranquilo,
deu-se a liberdade de uma olhadinha rápida nas casas da vizinhança enquanto
dirigia.
Chamou-lhe a atenção uma mulher sentada naquela varanda. Não
conseguiu entender se ela estava rindo ou chorando. Tinha tempo, resolveu fazer
um contorno na quadra para confirmar. Quando ia fazer a última curva de
retorno, um cachorro e um gato agasalhados passaram correndo na calçada em
outra direção. Com curiosidade e preocupação, tentou segui-los por algumas
ruas, quase entrando na contramão.
Ia tentar voltar ao caminho original, quando um casal saindo
de um shopping iniciou uma briga escandalosa. Juntamente com alguns outros
carros, começou a acompanhá-los lentamente, sorriso malicioso, ouvidos atentos
à troca de insultos baixíssima (em qualidade, não em volume). Insultos agora
abafados por um caminhão de som, com alto-falantes despejando uma proposta
revolucionária para uma nova vida de prosperidade - era um coach ou um
religioso?
Cinco minutos após o palavrório, o seu motor parou. Tentou dar a partida e nada. Acabou o combustível. Não abasteceu o carro, não passou na padaria e não conseguiria buscar a filha na faculdade. E mal se lembrava do motivo de ter saído da rota...
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