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Lembrar o azar

Depois de uma olhadinha boba no espelho trincado do corredor, viu de relance o calendário. De repente, a data se tornou familiar. Sete anos, que loucura! (Mesmo fornecedor do calendário de papel, inclusive...)

Lá ia o idealista daqueles tempos, seguro de captar os sinais claros para a construção de um castelo de sonhos. Não era do seu feitio saltar no escuro, mas estava tudo muito claro! Meses depois, numa noite de expectativas, a revelação. Sinais mal captados. Castelo afundando. Soterramento doloroso.

Tropeços não o incomodavam. O tropeço é um acidente - involuntário, por definição. Já o salto mal calculado acabava com ele. O salto era um erro. E foi um baita erro...O velho e descuidado erro de espelhar a fantasia na realidade. 

Agora o velho era ele, não o erro. As cicatrizes ensinaram a não deixar os sentimentos olharem para o espelho, achando que estavam olhando para a janela, para o outro, para o mundo.

Sete anos... Fim do azar pelo espelho trincado?

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