Hoje parece estar melhor. Ontem parecia quase insaciável.
Levanto, olho para a rua, invejo a disposição do catador de recicláveis. Pego o café e aguardo o retorno de minha alma ao corpo - não deve demorar.
Em breve, retornarei às fotos. Primeiro, as demandas.
Filhos fora de casa, eu deveria cozinhar, mas não preciso. Um sanduíche e umas frutas devem resolver. Não esquecer a garrafinha com água!
Sim, as fotos... O ritual de veneração daquelas imagens que me inspiram. A celebração litúrgica desta Boa Nova que eu mesmo inventei. A adoração a alguém em quem eu desenho enfeites de perfeição.
Meio da tarde, porta da geladeira aberta, momento de reflexão. Caramba, como é difícil me livrar destes produtos ultraprocessados... Mais difícil, só restringir o café ao período da manhã, já vou fazer mais aqui.
Nas fotos, eu sei que há filtros. Experimento os sorrisos, não as lágrimas. A maquiagem, não o bafo matinal. O gesto delicado, não o momento emputecido. Se há um consolo nestes devaneios é este: a gente pode acreditar que amaria as "qualidades" e os "defeitos" com a mesma intensidade...
Ah, as bem-intencionadas promessas de não comer carboidratos à noite... Beleza, hoje é sábado, na próxima semana eu me ajusto (ah, a velha e malandra autossabotagem!)
A maior loucura é que essas fotos me trazem saudades. Saudades que ainda não aconteceram. Que, provavelmente, nunca acontecerão. Mas que se contorcem e arrepiam em mim, agora.
Estou satisfeito por hoje. Vou ali, sonhar com um encontro, com bebidas e petiscos. Boa noite.
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