Hoje, relembrando aquele momento, ele ri de si mesmo, ao mesmo tempo em que admira mais a moça.
De coração partido, ele saiu para dar uma volta (naquela época, a palavra “rolê” só tinha relação com bife ou gola). Parou na esquina movimentada, a música alta, o pessoal se divertindo. Era estranho: o sofrimento era autoinfligido, ele sabia intimamente que aquele relacionamento estava fadado ao fim.
Foi quando uma moça surgiu Traje típico de pantomímica, camisa listrada, rosto branco, chapéu-coco. Conforme se aproximava dele, o sorriso dela ia se desfazendo, parecendo ler o que ia dentro do cara. Entreolharam-se por alguns segundos, as bocas entortaram para baixo, os olhos brilharam de tristeza...
Ela deu para ele uma margarida que trazia nas mãos. Sorriram um para o outro, cúmplices de uma solidariedade entre almas. E ela voltou a dançar com os demais, para que ele entendesse que a vida segue, as tristezas passam e os momentos sensíveis permanecem.
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