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Agora zerou

(contém palavrões)

Hoje tive um papo de esquina com a pessoa que mais me machucou na vida. E como foi um papo de esquina, esta bagaça deste texto vai sair bem coloquial, com direito a umas palavras mais cruas (aqui tudo é preparado em fogo brando, mas alguns pratos são servidos malpassados).

O miolo da minha história é manjado para caramba, até a Blitz cantou em "Mais uma de amor (geme, geme)". Na prática, não tem graça. Se você tomou um pé na bunda inesperado de alguém importante, certamente já ampliou o entendimento da palavra luto.

Inesperado é pouco... Foi como manobrar com entusiasmo uma vida do tamanho de um transatlântico em direção à pessoa e ela desistir repentinamente do embarque. Foi passar meses doloridos apostando que ela embarcaria, sem qualquer motivo. Foi um coito interrompido à distância. Sem a decência de uma conversa final, um velório digno para uma relação digna. Levei um tempo para entender qual foi a minha cagada. Que também é clássica: apaixonar-se pelo que imaginamos e não pelo real. Aplicar um filtro e acreditar que aquilo existe. 

Acho que ela conseguiu acomodar a filha-da-putagem em um canto da consciência, empurrando a falta de transparência para baixo de um tapete de pretensa sinceridade. Por alguns anos, mesmo depois de superar a dor, isso não estava bem digerido. 

E hoje estávamos ali, junto a outros amigos, três minutos de conversa fiada. Até me toquei que não remoía lembranças dela há muito tempo. Sem peso, sem qualquer subtexto. Sem histórias bonitas para recordar, sem maldições mentais para corroer. Agora zerou. 

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