Que coisa estranha... Algo lhe dizia que continuava viva, contradizendo o que sentia.
A paralisia era visível. O torpor saturava o ambiente. O piloto automático levava e trazia sem muita convicção. Mas os vivos a viam e seguiam ao seu lado.
Quase não abria a boca. Pouco se comunicava. Os músculos faciais mal denunciavam expressões de sentimentos no rosto. Ainda assim, os vivos falavam com ela, sorriam para ela e a ouviam.
Prazos estourados no trabalho, comemorações tocantes na família, bagunça no quarto, nada tirava sua calma apática. E os vivos agiam como se ela se importasse.
Ela acreditava em um plot twist. Tirariam seu capacete virtual e a realidade se mostraria. Estalariam os dedos, a hipnose terminaria e tudo voltaria a funcionar como deveria. O sedativo sairia de suas veias e uma nova energia a sacudiria, empurrando-a em direção a um novo sentir. Ela acordaria.
De duas, uma: ou ela estava disfarçando muito bem, ou os vivos estavam sendo complacentes com ela, como fazem com o bêbado que se acredita sóbrio..
Ou talvez - que coisa estranha! - talvez ela ainda estivesse viva...
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