O carro descia a ruazinha sem movimento. Estas interrupções no trabalho para cuidar de assuntos de menor importância o deixavam angustiado. Sem exigir muito dos freios do veículo, ele parou no cruzamento, na intenção de fazer a conversão à esquerda.
Na quadra seguinte, ela descia a pé, sozinha. Nada se revelava muito: era magra, cabelos escuros um pouco acima dos ombros, pretos como a camiseta e a saia. Descia sem muita pressa, esses dias são assim mesmo, o tempo não quer dizer muita coisa...
Uma breve dúvida. Virar seria mais rápido. Mas não vê-la seria mais penoso. Tirou o pé do pedal e deixou a inércia fazer o seu trabalho.
Olharam-se por menos de dois segundos, um pouco antes de chegarem à próxima esquina Abaixo dos óculos dela, uma máscara, cobrindo perfeitamente a metade inferior do rosto. Máscara preta, como a roupa e os cabelos. E aquilo foi o suficiente para saber que ela era linda, inteligente, boa e gentil.
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