Era uma casa nada engraçada... Nela, moravam um vivo, um semivampiro e um semifantasma.
Havia um pântano na pia. Arrastando correntes, o semifantasma às vezes flutuava até lá para fazer a drenagem e a limpeza provisórias.
Havia uma coleção de vasos de cinzas e pilhas de garrafas, um trabalho do semivampiro no silêncio da noite.
Havia pílulas mágicas, de diversos tamanhos, cores e efeitos, para que o semivampiro e o semifantasma continuassem fazendo jus ao prefixo "semi".
Ao contrário do que poderia parecer, o vivo era o mais sobrenatural dos habitantes. Suas resplandecentes palavras e ações eram como rezas e rituais para o ambiente. Sem elas, as paredes desabariam...
O fenômeno mais assombroso acontecia no portão da casa. Ao entrarem por ele, os raros visitantes nada sofriam. Já os moradores, ao saírem por ele, tornavam-se pessoas normais, simpáticas, comuns.
Sim, era assim.
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