Ela escreveu sobre a parte boa de existir há algum tempo. Texto sensível, bem escrito, memorável. A conclusão fascinante sobre a parte boa de existir: sorvete.
(Caraca, já não basta o nome da página, eu vou ficar falando de comida? Dá uma olhada no título da postagem anterior. Vê aí uns textos citando pastel, caldo de cana, café, sanduíche, fruta e outras coisas. No fim das contas, a comida não alimenta apenas o estômago... Isso pareceu profundo, tem até reticências, mas é só uma bobagem.)
Claro que não entendi o texto plenamente. Mas fiquei pensando na peculiaridade do sorvete. Mesmo sabendo que não vou conseguir fazer uma reflexão à altura, tô convencido sobre o fascínio do tema.
Você é livre para escolher o sabor. Pode tomar devagar, apreciando nuances e mudanças de textura. Pode consumir rápido, intensificando os sentidos. Se derreter, alguém sentirá aversão e abandonará, enquanto outro pode colocar a casquinha embebida em um pratinho e saborear. Se enjoar, você pode jogar fora (claramente um pecado) ou guardar na geladeira com a esperança de tomar depois. Você pode tomar muito. Você pode tomar pouco. Você pode não tomar. Sua vontade é soberana.
Nem discuta comigo, sorvete perde para pizza (nossa, mais comida). Ambos, entretanto, trazem uma sacralidade para a vida, apresentando vislumbres de regiões superiores, traduzindo percepções para as quais ainda não inventaram palavras.
Esta também é uma parte boa de existir. E eu estava enganado: se tem reticências, não é bobagem...
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