Eu te vi entrando no prédio. Estacionado do outro lado da rua, dia quente, acompanhei o teu pulinho apressado para subir na calçada, olhando de relance para trás.
Nos cinco segundos seguintes, todo um encantamento surgiu. Um curta-metragem de momentos doces e felizes começou a ser produzido na minha cabeça. Roteiro leve, trilha sonora fofa. Sintonia e bons momentos. Ali poderia surgir uma paixão. Poderia...
Seis segundos depois do pulinho, eu notei que ele também te viu. E ficou muito mais encantado que eu. Sem deixar de te olhar, ele chegou a se afastar uns dois passos do grupo de amigos com quem conversava e voltou, meio desequilibrado.
Não havia comparação: meu curta-metragem era medíocre perto da trilogia na cabeça dele. Roteiro denso e bem amarrado, trilha sonora intensa e variada. Plena entrega em todos os momentos. Reconhecendo a superioridade desta história em relação à minha, liguei o carro, coloquei uma música e segui em frente, vento fresco no rosto.
Se existe alguma justiça no mundo, o que acontece agora é o seguinte: vocês se encontram, as faíscas aumentam, o amor brota e vocês ficam juntos por muito, muito tempo. Quanto a mim... uma injustiça a menos no currículo. O mundo merece aquela trilogia.
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