Era muito bizarro, muito bobo... muito necessário. Era o emergir das águas densas e escuras de um período difícil. Era o fim de longos anos de sorrisos pela metade, de choros repentinos, de falta de sentido.
Vinte horas em ponto, Mauro desce do trem, cansado e satisfeito. O trabalho foi bom, a semana corria bem como nunca. Já do lado de fora da estação, o fone de ouvido começa a tocar "Funny Funny", do Sweet.
Mauro não resiste. Palminhas ritmadas, desliza para a esquerda, desliza para a direita. Abraça a mochila, dois para lá, dois para cá. Abre os braços, treme as pernas à la Elvis. Segue caminho, um novo passo de dança a cada dois compassos...
A tiazinha do ponto de ônibus fez cara de desaprovação. O bêbado do boteco gargalhou e imitou a dança. O cachorro na calçada, confuso, ameaçou segui-lo mas parou, meneando a cabeça algumas vezes. A moça do supermercado sorriu, talvez tenha sido ela quem melhor entendeu a mágica do momento, naquela dança silenciosa em que só o dançarino ouvia a música .
Amanhã, quem sabe o que vai ser? Não importa. A imagem final é essa: Mauro feliz, desengonçado, rodopiante, subindo a rua na noite quente...
Comentários
Postar um comentário